Psicodrama: revisitando Moreno

Revisitar a obra de Jacob Levi Moreno, criador do Psicodrama, tem sido uma aventura criativa, um encontro delicioso. Reler seus livros, retomar seus principais conceitos – para ser professora e ensinar Psicodrama – é um exercício exigente, mas prazeroso e produtivo.

Moreno viveu entre 1889 e 1974, na Europa e nos EUA. Fruto de seu tempo, marcado pelo surgimento e reconhecimento das ciências sociais e da psiquiatria, pela revolução russa e pelas guerras mundiais, Moreno ocupou-se da investigação no campo das relações humanas, inicialmente a partir do teatro, pesquisando o funcionamento e a estrutura de diversos grupos.

Livros como Quem Sobreviverá?, Psicodrama, O Teatro da Espontaneidade, Psicoterapia de Grupo e Psicodrama são clássicos que de tempos em tempos merecem revisão para quem atua como psicodramatista, seja na clínica, na educação ou em outras áreas.

Dentre vários experimentos e criações científicas, teóricas e metodológicas, Moreno legou aos estudiosos da sociedade o que chamou de Sociometria, uma “nova ciência” que tinha por objetivo entender e medir as relações em um grupo e também entre diversos grupos. Para desenvolver a Sociometria, ele realizou vários experimentos sociais nos EUA.

Mais interessado no “entre”, ou seja, no fluxo de afetos, emoções e percepções que transcorre entre as pessoas, entre o indivíduo e o grupo, Moreno propôs conceitos importantes, operacionalizados ainda hoje, como átomo social, redes sociométricas e papéis, dentre muitos outros.

Para o Psicodrama, não há como pensar as relações interpessoais sem o conceito de papel, pois toda relação é constituída por indivíduos em atuação num determinado papel. Por exemplo, ao papel de mãe corresponde o papel de filha. Estes papéis, por sua vez, fazem parte de uma configuração grupal, uma família, formando um átomo social. Muitos átomos articulados constituem uma rede e as redes compõem sociedades – explicando de maneira bastante esquemática.

É possível, a partir dessa abordagem, mapear os relacionamentos, os afetos e critérios de escolhas entre os indivíduos, contextualizando as situações e assim ampliando uma determinada pesquisa, seja esta individual ou grupal. Apropriar-se dos conceitos da Sociometria, portanto, oferece a terapeutas, educadores e outros profissionais ferramentas imprescindíveis para a compreensão e intervenção da realidade estudada.

Andrea Martins – Psicóloga e Psicodramatista – CRP 06/45353

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