
Em busca de conhecimento e compreensão sobre as relações, a sociedade e a psique humana, adentrei as páginas desse livro importantíssimo, publicado originalmente em inglês em 1986, e em português somente em 2019. Portanto, com um atraso extraordinário!
Gerda Lerner, autora da obra A Criação do Patriarcado, foi uma historiadora e professora universitária que viveu nos EUA e notabilizou-se por estudar a história das mulheres. Através deste livro magnífico acompanhamos sua investigação pelos documentos históricos, arqueológicos e literários a respeito do funcionamento das sociedades arcaicas, como a mesopotâmica e a hebraica, que deram origem, dentre outras, ao que chamamos patriarcado. São quase 3000 anos de história revisitada por Gerda Lerner!
É fascinante, ao mesmo tempo estarrecedor, conhecer os contratos legais que regiam a troca de mulheres entre familiares das pequenas comunidades antigas e depois dos grandes impérios. Mais do que isso, é absolutamente instrutivo entender como ocorreu a passagem do politeísmo ao monoteísmo, abolindo as deusas da mitologia e dos símbolos mais importantes das religiões.
Com o passar dos séculos e milênios, as mulheres foram sendo excluídas do espaço público e do campo simbólico de representação sócio cultural, instituindo-se cada vez mais o modelo da sociedade patriarcal, na qual os homens determinam quais os destinos da humanidade, quais as regras a serem seguidas e como o poder deve ser distribuído na ordem política, econômica e entre os gêneros.
Somente no século XX da nossa era é que as mulheres voltaram a ocupar um espaço de representação pública e simbólica valorosa. No entanto, a misoginia e o feminicídio permanecem hoje, em pleno 2022, convocando-nos ao questionamento deste poder patriarcal que ainda sobrevive nas relações familiares e nas instituições políticas, religiosas, educacionais e organizacionais.
Por isso mesmo a leitura deste livro é tão urgente quanto necessária!