
Março é o mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, sendo que muitas reflexões e reivindicações são visibilizadas. Aqui no Blog e no Podcast Entre Vínculos há uma enorme produção sobre a temática de gênero, focando em questões do universo feminino.
E os estudos sobre masculinidade, o que têm a nos dizer? Por que ainda são em menor quantidade do que os estudos feministas? Os homens estão se transformando e revendo seus papéis ao lado das mulheres ou não?
É fato que as teorias sobre sexualidade e saúde femininas foram produzidas sempre por homens, até os anos 50/60. A partir deste momento, contudo, as mulheres se tornaram protagonistas do conhecimento sobre si mesmas, inaugurando o campo teórico denominado Estudos de Gênero, que inclui pesquisas sobre o feminino e o masculino. Discutir sobre masculinidades é tão importante quanto discutir sobre feminilidades e feminismos, afinal, ambos compõem as polêmicas temáticas de gênero.

Para vários autores, masculinidade diz respeito à uma construção sociocultural que varia no tempo, no espaço e na história, produzindo significados diferentes na forma com que os homens se vêm a si mesmos, se relacionam com o mundo, com os outros homens, com as mulheres e as instituições. Não se trata de uma essência ou um fundamento biológico a produzir o masculino, segundo KIMMEL (1998), apesar de haver teorias nessa perspectiva biologicista. Como são muitas as visões, as culturas e formas de viver masculinas, é mais interessante utilizar o termo no plural, isto é, masculinidades.
Há múltiplas masculinidades sendo experimentadas no mundo contemporâneo e diversas formas de nomeá-las. Há, inclusive, masculinidades transexuais. E masculinidades hegemônicas, conceito dos anos 90 (KIMMEL) que foi reformulado, mas continua pautando debates e novas interpretações.
Será que o masculino encontra-se em crise? O que significa ser homem hoje? Quais as demandas sociais direcionadas aos homens? Por que são eles a maioria esmagadora nas estatísticas de violência? Há uma cultura de virilidade que ensina desde cedo os meninos a serem agressivos? Como é possível haver tantos grupos de homens assumindo publicamente a misoginia – ódio às mulheres – e a homotransfobia? Por que isso está ocorrendo?

Perguntas que estão sendo feitas e investigadas, questões que solicitam estudo. Registro abaixo algumas indicações para quem deseja caminhar nesta direção:
O site www.papodehomem.com.br apresenta um conteúdo interessante, tal como textos, guias e pesquisas sobre homens, relacionamentos, virilidade e dilemas das masculinidades em nossos tempos.
O escritor João Silvério Trevisan é um importante sociólogo, que se utiliza de uma linguagem acessível para mapear as masculinidades no Brasil. E Bell Hooks, também escritora, nos brindou com A Gente é da Hora: Homens Negros e Masculinidade.
Existe a Revista Estudos Transviades, que publica produções acadêmicas, literárias e artísticas sobre transmasculinidades, através do site https://revistaestudostransviades.wordpress.com/.
Na literatura, Conceição Evaristo lançou recentemente Canção para Ninar Menino Grande, belíssima e deliciosa obra. E Stênio Gardel, com A Palavra que Resta, romance que trata de um amor secreto e proibido, cujo único vestígio é uma carta nunca lida. Este romance, posso testemunhar, é um dos livros mais lindos que tive a felicidade de ler. Lírico, poético e absolutamente envolvente.
Boa leitura!
Andrea Martins – Psicóloga CRP 06/45353 – Especialista em diversidade Sexual e de gênero

