
Cenas estarrecedoras graçam pela internet neste tempos estranhos, incluindo o culto às armas, com crianças sendo expostas e exploradas. Se fosse possível dialogar com os adultos cuidadores, como seria esse diálogo? Que tal imaginar as perguntas importantes a serem feitas?
Questão 1: por que essa criança está aqui? qual o objetivo de sua participação neste grupo que comemora uma vitória cultuando armas?
Questão 2: o que essa criança aprende neste contexto? quais valores são compartilhados com ela?
Questão 3: o que se pode esperar de uma criança que aprende a cultuar armas? Em geral são meninos que se tornarão homens. Que homens serão?
Não é difícil de responder, pois também graça pela internet as cenas de violência entre os homens, numa guerra insana por diversas formas de poder. Vladimir Safatle, em seu livro A Ameaça Interna – Psicanálise dos novos fascismos globais, disseca e radiografa a sociedade contemporânea neste momento histórico em que vivemos, no qual as formas fascistas de violência voltaram a circular com grande intensidade.
Para Safatle e outros autores, o fascismo de Estado, típico dos anos 30 e 40 do século XX, parecia ter acabado. Porém, o fascismo enquanto uma subjetividade narcísica que sustenta o poder pela violência extrema, mobilizando as massas, nunca acabou e agora está em ascensão.
Um dos princípios do fascismo é a criação e manutenção de uma guerra contínua, interminável, que justifica a violência. Por isso, discursos acerca de inimigos que precisam ser exterminados fazem parte da lógica fascista. E o culto às armas também, não é mesmo?
Cultuar as armas, desde criança, possibilita a glorificação de uma certa masculinidade violenta, absolutamente sem sentimentos, voltada para a dessensibilização. Dessensibilizar, é bom lembrar, corresponde a um outro mecanismo da lógica fascista, que precisa ser ativado para criar seres humanos capazes de matar sem sentir qualquer comoção.
Para terminar, uma última pergunta: é esse o mundo que queremos para nossas crianças? E para nós mesmos?

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