
Desempenhar o papel de docente no campo de conhecimento que nos compete exige, ainda que na era da inteligência artificial, estudo, reflexão e releitura contínua. Senão for desse modo, como atuar de maneira ética e coerente, promovendo a práxis necessária para a formação de profissionais?
Enquanto professora e pesquisadora de Psicodrama, entendo ser importante criar estratégias de leitura, mesmo que seja em sala de aula, para que os alunos se apropriem das ideias dos autores e autoras e para que sejam capazes de desenvolver o próprio pensamento. Como é possível ampliar a cognição e a reflexão lendo apenas resumos de livros?
O Psicodrama, por exemplo, é uma teoria e uma metodologia cuja história se iniciou na primeira metade do século XX, na Europa e em diversos países da América, incluindo o Brasil. A fim de compreendê-lo e se tornar psicodramatista, não basta se apropriar de algumas técnicas e repetir clichês que circulam em redes sociais. É preciso muito mais do que isso para ter uma participação ativa na construção da teoria e da prática psicodramática.
Naffah Neto, embora não atue mais na abordagem do Psicodrama, foi um pensador crítico que contribuiu significativamente com o movimento. Em seu livro Psicodrama – Descolonizando o imaginário, resultado de sua tese de mestrado e publicado originalmente em 1979, Naffah questiona conceitos, apresenta práticas, relê e articula filósofos ao campo psicodramático. Reler sua obra, assim como a produção teórica de Moysés Aguiar e Sérgio Perazzo, nos inspira e nos assegura da potência do Psicodrama.
Em um mundo tão líquido e instável como o nosso, no qual o conhecimento vem se transformando em consumo de clichês propagados por redes sociais, resistir pode ser simplesmente estudar.