Relações Amorosas: o encontro possível

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Apesar de ainda existirem diferenças e assimetrias de poder relacionadas aos papéis de gênero e sexualidade em nossa sociedade, atualmente as funções de cada pessoa numa relação amorosa estável são muito semelhantes: ambos os parceiros ou parceiras trabalham fora, responsabilizam-se conjuntamente pela educação dos filhos e são sexualmente ativos.

Mesmo considerando a permanência de inúmeros estereótipos no nosso imaginário cultural, muitos são os homens e mulheres buscando novos caminhos para as relações entre si, sejam estas hetero ou homoafetivas. E nesse aspecto, vale assinalar e rememorar que ambos são frágeis, mesmo que não admitam.

É nesta capacidade de reconhecer que somos todos frágeis, enquanto seres humanos, que reside a possibilidade do encontro.

Admitir e assumir as próprias carências e necessidades afetivas, buscando nisso a conexão com o outro para, assim, falar uma mesma linguagem, que comunique os valores realmente importantes, as semelhantes ou diferentes angústias, as difíceis e pequenas batalhas do dia-a-dia: tal é a trilha que, seguida em comum, pode efetivamente criar relações amorosas mais dignas e saudáveis.

A partir da compreensão que um pode ter do outro como ser humano que sente, que sofre, que ama e odeia, que inveja, mata ou se alegra, se inspira, se arrepende, nem se entende como gente… é deste ponto enfim, obscuro no seu limite, que a vivência de uma relação que se busca amorosa pode ser transformadora, apontando para a criação de uma vida em comum que tenha sentido e valha a pena.

Mais do que a cena da miséria afetiva de um casal, onde ambos se humilham e se atacam, se agridem e se ferem, a cena mais temida pelo ser humano pode ser a cena da paz: proibida, conquanto desconhecida, sabemos bem, por todos os sistemas, todos os valores e toda a história.

Quase sem registro essa relação que revela, que acolhe, que abarca, que aconchega e se identifica na dor e na felicidade do ser frágil, por vezes abandonado. Essa, talvez, a tão temida relação de amor, onde não cabem mais mentiras e proibições.

É então uma relação de corpos e almas nus, inteiros, entregues um ao outro dentro deste microuniverso terrestre.


Andrea Martins -Psicóloga e Psicodramatista – CRP 06/45353

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