
Inicio o ano de 2025 com essa impactante e necessária leitura sobre os danos que as redes sociais estão promovendo a todos nós, especialmente às crianças e adolescentes que fazem parte da geração alfa, nascidos a partir de 2010. A obra de Jonathan Haidt, psicólogo social e acadêmico norte americano, também enfoca a geração Z, pessoas que nasceram no período de 1995 em diante.
Muitas são as pesquisas já apresentadas sobre esse tema, corroborando a tese de que os prejuízos cognitivos, psicológicos, sociais e físicos ocorrem em larga escala, prejudicando não apenas crianças e adolescentes, mas também adultos. Inclusive, big techs como a Meta estão sendo comparadas, por vários estudiosos, a empresas de tabaco, tendo em vista o potencial de adição (vício) que disseminam conscientemente entre seus usuários, através de suas irresistíveis tecnologias na internet.
O aumento do sofrimento mental relacionado ao uso de redes sociais, provocando quadros de ansiedade e depressão, não é mera especulação. Problemas cognitivos de memória, atenção, concentração, baixa produtividade nos estudos também não. Sendo assim, países como o Brasil, a Austrália e outros começaram a proibir a entrada de celulares em instituições de ensino.
O livro Geração Ansiosa apresenta detalhadamente números e gráficos que comprovam e revelam a chocante situação das gerações mais novas. Segundo o autor:
“Os membros da geração Z são, portanto, cobaias de uma maneira radicalmente nova de crescer e que é muito distante das interações em comunidades pequenas no mundo real a partir das quais os humanos evoluíram. Podemos chamar esse fenômeno de Grande Reconfiguração da Infância. É como se eles fossem a primeira geração a crescer em Marte.” (pg 15)
Diagnóstico exagerado, culpabilizando demasiadamente as big techs? Penso que se prestarmos atenção ao que está acontecendo no mundo, ao comportamento das pessoas em uma academia de musculação ou em um restaurante, de alunos na escola ou familiares juntos em uma sala, se prestarmos atenção em nós mesmos, na nossa relação com as redes sociais, a resposta é não: não se trata de equívoco considerar que estamos sendo aprisionados em um sistema compulsivo de relações virtuais que podem até nos alimentar positivamente em alguns momentos, mas que também nos aniquila, nos empobrece e nos exaure. Imagine um ser humano em pleno processo de desenvolvimento e formação neuronal, psicológica e social!
Jonathan Haidt e tantos outros pesquisadores e profissionais da área da saúde e da educação argumentam que as perdas são muito maiores do que os ganhos, com algumas diferenças de gênero. Os números apontam que a depressão afeta principalmente as meninas, mas não deixa de se desenvolver também nos meninos. Na clínica com adolescentes é possível observar frequentes casos de transtorno depressivo, altos níveis de ansiedade que configuram síndrome do pânico, dificuldades na socialização, estima rebaixada devido a comparações permanentes com colegas e influencers, ideações ou tentativas de suicídio, dentre tantas outras experiências que configuram enorme sofrimento mental.
Felizmente a sociedade parece estar começando a perceber e compreender a dimensão da crise na qual todos estamos inseridos, a fim de que novas soluções sejam construídas. No último capítulo de seu livro, Haidt faz propostas concretas aos governos, escolas, empresas de tecnologias e famílias, voltadas para a criação de infâncias mais saudáveis.
Andrea Martins – Psicóloga e Psicodramatista – CRP 06/45353