Sabe levantar pipa, jogar bolinha de gude, andar de bicicleta, desenhar.
Mas não gosta de ficar parado, pensando.
Quando assiste TV, movimenta-se feito macaco no sofá. Quando faz tarefas de escola, não consegue se concentrar. Todos reclamam de sua agitação.
Sua principal cuidadora é a avó, com quem ele briga o tempo todo. Os pais ficam fora, trabalhando.
Na escola, ele quer brincar. Tem 7 anos. É difícil ficar na carteira, prestando atenção na aula.
A professora reclama, os amigos o querem bem. Alguns se chateiam, outros tentam ajudá-lo nas lições.
Certo dia, a professora propõe um jogo diferente, que ele, com muita imaginação, já conhece e domina. É então que todos se surpreendem com as desconhecidas habilidades do menino.
Esta pequena história foi vivenciada por alguns ( ou muitos? ) educadores, na vida real e na ficção do palco psicodramático.
Talvez ela possa nos ajudar a prestar mais atenção nas diversas capacidades que nossas crianças têm, em casa e na escola.
Infelizmente temos o hábito de cobrá-las para que sejam mais responsáveis, organizadas, concentradas em tarefas de conteúdo lógico-formal. Esquecemos da imaginação, da arte, da brincadeira, do contato físico e afetivo, do conhecimento cotidiano através das relações.
Rubem Alves nos ensina que, para ter sentido e valer a pena, a escola precisa estar integrada com a vida, com a aprendizagem que a criança adquire no dia-a-dia: professores e alunos compartilhando um espaço de criação, não apenas de repetição; pais que dediquem tempo aos filhos, não somente para exigir, mas também para ouvir, abraçar, jogar, passear, brincar…
Andrea: tudo realidade e posso assinar embaixo, pois vivenciei isto nas escolas que trabalhei. Parabéns pelo artigo.
Ana Marly de Oliveira Jacobino
É uma história que nos intriga: a escola permanece nos modelos do século passado. Essa geração de crianças por medo e insegurança dos pais: não brinca com seus vizinhos e amigos, não tem oportunidades de correr, aventurar-se… Entra na escola com uma idade tenra (às vezes 4 meses, por necessidade da família), quando chega aos 6 anos está saturada desse formato e da disciplina escolar. E nós, o que fazemos? Refletimos e buscamos uma solução ou rotulamos essa criança e "arrumamos" um remédio para resolvê-la, bem depressinha? Retomo o princípio do meu pensamento: é uma situação, no mínimo, intrigante.