No mês de setembro é realizada a Campanha Setembro Amarelo, que busca divulgar e discutir questões relacionadas ao suicídio. Em 2020, mais uma vez é necessário abordar esse tema tão delicado.
Os números de depressão e suicídios seguem crescendo em todo o planeta, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. No que diz respeito aos adolescentes a questão torna-se ainda mais preocupante.
Não é esperado, em nossas sociedades, que crianças e jovens tirem a própria vida, já que essas fases são idealizadas no imaginário popular. Em geral a infância e a juventude são tomadas como símbolos de vitalidade, alegria, descobertas e beleza. Toda a angústia da transformação, principalmente na adolescência, é esquecida e ocultada nas reuniões familiares.
A bem da verdade, ser jovem numa sociedade de alta performance não é fácil nem animador. A proibição para errar e a exigência de acertar está em todos os lugares, nas mais diversas relações e instituições, escolas, famílias, amigos, trabalhos, amores. A culpabilização individual que decorre de possíveis erros é avassaladora, mesmo que não seja direta. Vivemos numa sociedade neoliberal, o que significa supervalorizar o indivíduo e desconsiderar as conjunturas. Os jovens já sabem disso e sofrem sem perceber o quanto estão assujeitados por essa cultura.
Ao mesmo tempo, a era virtual coopta, até certo ponto, os corpos, reduzindo experiências reais de interação, afetividade e sexualidade. Obviamente que em outros aspectos a internet é extremamente potente, mas também pode propiciar isolamento, solidão, empobrecimento do contato físico e envolvimento com grupos que estimulam o ódio exacerbado.
O filme nacional Yonlu (2018) apresenta a história real de um adolescente gaúcho que se suicidou em 2006, frente às câmeras das redes sociais, com a ajuda de grupos criminosos online. Trata-se de um caso famoso e raro, mas propõe a importante discussão do suicídio na juventude.
No contexto da pandemia, muito pelo contrário, as relações virtuais estão sendo redentoras, posto que possibilitam estarmos juntos de algum modo. Porém, a própria pandemia, na medida em que nos priva de uma série de coisas e aponta um futuro tão incerto, vem causando angústia e depressão.
Nesse cenário, portanto, é preciso estar por perto, sem invadir. Ouvir, sem criticar. Falar na hora certa, com afeto. Propor ajuda, quando necessário.
