Um poema pela dor e pela memória

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A indiferença do mundo dói em mim.
Os mortos já não são mais velados,
Sequer percebidos por autômatos capitalistas.
 
A indiferença do mundo dói em ti.
Os teus mortos são abandonados,
Reduzidos a números perdidos entre as tumbas deste enorme cemitério global.
 
A indiferença do mundo dói!
 
Como é possível não reconhecer a dor?
Como é possível não confessar a morte?
Como é possível não chorar a perda?
 
A indiferença mata quem não morreu e pune quem já partiu.
Só a memória redime, só a memória cura.
 
Então lembre-se:
Mais de noventa mil pessoas morreram mortes evitáveis se não existisse indiferença.
 
Porque a indiferença, além de doer, também mata!
 
 
Minha sincera homenagem poética a todos e todas cujas vidas foram interrompidas pela pandemia de coronavírus e pela perversidade dos governantes.
 

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