Todas as mídias do Brasil e do mundo estão noticiando a tragédia do genocídio que por aqui ocorre. A memória e a luta diária para interromper esse massacre precisam continuar. Não podemos esquecer!
Psicólogos e psicólogas são profissionais da saúde, por isso seguem um Código de Ética que afirma a Vida como valor incalculável, imprescindível e inegociável. Neste sentido, não podem e não devem se calar frente a nenhum processo social de genocídio, que neste momento está ocorrendo devido à absoluta falta de políticas públicas decentes, voltadas para a vida.
Lamentavelmente estabeleceu-se uma política de morte aos brasileiros, que pode ser denominada Necropolítica, conceito apresentado pelo filósofo Achille Mbembe, mas também discutido por diversos outros autores, como Michel Foucault e Judith Butler.
A necropolítica é uma prática de poder, geralmente apoiada ou promovida pelo Estado, que impõe a morte para determinados grupos e cidadãos de uma sociedade, na medida em que restringe o acesso destes às condições mínimas de sobrevivência. Deste modo, as possibilidades de vida tornam-se extremamente precárias, levando os indivíduos à óbito pela pobreza, falta de saneamento básico, ausência de medidas de combate à crises sanitárias – como a pandemia atual -, violência extrema em áreas de guerra. Diversos grupos são literalmente sacrificados na prática da necropolítica, enquanto outros são privilegiados e salvos.
Quando governantes de vários níveis do Estado brasileiro tomam decisões que dificultam e até mesmo impossibilitam a sobrevivência humana durante uma pandemia, por exemplo não providenciando auxílio econômico para quem precisa, não comprando vacinas, não incentivando uso de máscaras, espalhando notícias falsas sobre medicamentos e negando a ciência, pode-se afirmar que trata-se de uma política pública destinada à morte.
O que podemos fazer frente a isso? Em primeiro lugar ampliar nossa capacidade de reflexão e pensamento. Verificar notícias e vídeos suspeitos nos sites de checagem, como a Agência Lupa. Pesquisar informações em fontes científicas confiáveis – Organização Mundial da Saúde, Universidade de São Paulo, Instituto Serrapilheira. Dialogar com amigos e familiares sobre o efeito nefasto do negacionismo, porque sim, ele mata!
