Maid: uma reflexão necessária

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Embora a série Round 6 seja a mais comentada e assistida no momento, é Maid, também na plataforma Netflix, que eu gostaria de recomendar. A série americana, baseada na autobiografia de Stephanie Land, Superação: trabalho duro, salário baixo e o dever de uma mãe solo (2019), aborda de maneira realista e contundente a violência doméstica, o relacionamento abusivo e a precariedade do trabalho.

Uma jovem mulher pobre, de pouca instrução, casada e com uma filha pequena é vítima de seu marido alcoólatra. As agressões não são físicas, mas caminham para essa direção, como sabemos que ocorre frequentemente. E Alex, desesperada, sai de casa com a filha no meio da noite, pedindo ajuda à familiares e amigos que se negam a acolhê-la.

O percurso imposto à Alex por nossa sociedade capitalista e patriarcal, a partir do momento em que se rebela contra a violência, é escandaloso, cruel e chocante, a ponto do papel de vítima lhe ser negado por certas instituições e sujeitos que deveriam protegê-la.

Quantas mulheres são obrigadas a viver relações abusivas, violência psicológica, assédio sexual e moral com seus companheiros? Engana-se quem acredita que este é um cenário tão somente das classes baixas; exemplos de feminicídio são abundantes em todos os estratos sociais!

No atendimento clínico psicoterapêutico é possível acompanhar como os conflitos entre casais podem configurar relações assimétricas de poder, nas quais os homens, em geral, revelam-se abusivos. Muitas vezes a agressão é quase imperceptível, sutil, expressando-se em forma de falsos cuidados ou verbalizações que, na verdade, são controles absurdos sobre o corpo das mulheres, sobre as tarefas domésticas e a educação dos filhos.

Nós sabemos que os homens agressores têm uma masculinidade extremamente frágil, ao contrário do que pode parecer. São inseguros, instáveis e dependentes; sentem-se ameaçados em relação às mulheres e agridem para se afirmar. Não é difícil, atualmente, que busquem tratamento psicológico quando são capazes de reconhecer essa fragilidade. Mas nem sempre há sucesso na empreitada, posto que esse reconhecimento ocorre tarde demais, quando os abusos são demasiados, a violência física começa sua jornada e o uso de substâncias químicas diversas faz parte do cotidiano. A separação é tão inevitável quanto necessária, enquanto medida de sanidade mental e segurança física, o que, infelizmente, não garante que um fim trágico deixe de acontecer.

Na série, temos a possibilidade de conhecer essa realidade acerca do sofrimento das mulheres, principalmente pobres, sem condições dignas de trabalho para prover a sobrevivência e o sustento familiar. O que faríamos se estivéssemos no lugar de Alex? Por que há tão pouca compreensão e muito mais julgamentos moralistas nestas situações? São tantas as perguntas que nos instigam a buscar respostas e caminhos!

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