
As vezes sentimos que as palavras nos faltam, preenchidos que estamos por imagens de angústia. Nestes tristes dias que vivemos, nomear emoções é uma tarefa complicada.
Morte de pessoas queridas, medo, solidão e desesperança vêm gerando quadros sintomáticos de pânico, ansiedade e depressão. Por isso a recomendação é que façamos o esforço de compartilhar uns com os outros, da maneira que for possível, nossas dores e fragilidades, nossos pensamentos e sentimentos.
Precisamos nos apoiar para enfrentar um desafio que não imaginávamos ter no horizonte. Seja com familiares, seja com amigos, faz-se urgente que partilhemos. Não estamos sozinhos, mesmo que isolados em nossas casas.
Pode até não parecer, mas somos muitos os que se comovem, os que compreendem a gravidade do momento, os que se entristecem com tanta barbárie e insensibilidade, os que choram a própria dor e a dor do outro. Somos muitos pactuando com a Vida e não com o ódio.
A bem da verdade, não há outra saída senão a de brigar pela Vida de todos e resistir ao desejo de Morte, difundido de maneira inconsequente no Brasil (e também em outros lugares do mundo) por lideranças políticas excessivamente preocupadas com a Economia. Novos desafios de ordem semelhante virão: consideremos, por exemplo, o aquecimento global, que trará profundas mudanças nos hábitos de consumo das populações. A situação da pandemia já não seria um treino para tal contexto?
Venho escutando, lendo e acompanhando pelas redes um escritor e líder indígena muito carismático, Ailton Krenak. Creio que, pela diferença, temos muito a aprender com ele e com os povos nativos. Por isso indico a leitura de seu livro Idéias para Adiar o Fim do Mundo. Vale a pena conhecê-lo!
