
No campo da saúde mental, um dos temas mais importantes a serem discutidos diz respeito à depressão, que tem levado muitos jovens à morte por suicídio.
A depressão, do ponto de vista médico, está relacionada à falta de serotonina no cérebro e caracteriza-se como um problema fundamentalmente neuroquímico. Por isso necessita ser tratada com medicamentos que aumentem a serotonina, especialmente nos casos graves. O psiquiatra é o médico responsável pela realização de um diagnóstico preciso e pela medicalização.
Na perspectiva psicossociológica, no entanto, a depressão é muito mais do que um conjunto de sintomas que pode comprometer a vida de uma pessoa, afastando-a das atividades cotidianas devido à apatia, exaustão, ansiedade ou ideações suicidas. O sofrimento intenso do quadro depressivo relaciona-se tanto com a história quanto com as condições de vida do sujeito e da sociedade em questão.
Uma sociedade que estimula demasiadamente a competição, o egoísmo, o narcisismo, o individualismo e o ódio, exigindo das pessoas perfomances intermináveis, propicia a criação de seres humanos descontentes, esvaziados, vivendo em estados depressivos, maníacos ou mesmo psicóticos.
Não podemos esquecer que nossa subjetividade e nossas doenças mentais são sintomas do nosso tempo, marcado pelo consumismo excessivo e pela impossibilidade de satisfação ao mesmo tempo. Tornamo-nos, no neoliberalismo, seres desejantes de prazeres efêmeros, que eternamente se renovam e nunca satisfazem plenamente. Não é difícil, nesse contexto, acompanhar pessoas infelizes e deprimidas, apesar da excelente qualidade de vida do ponto de vista físico, material e intelectual.
Nós precisamos e nos nutrimos emocionalmente uns com os outros, a partir de trocas afetivas autênticas e singelas. A solidão, o isolamento e a economia excessiva de afetos possibilitam relações de pouca intimidade, que em geral não agregam sentidos para uma existência plena. Muitos adolescentes, por exemplo, compreendem ser melhor não sair do próprio quarto, conectando-se ininterruptamente à internet e perdendo o contato com pessoas reais. Quando enfim são obrigados a lidar com as dificuldades impostas pela vida, revelam-se frágeis e intolerantes à frustrações.
O aumento do sofrimento mental entre os adolescentes, relacionado ao uso de redes sociais, já está comprovado. Quadros de ansiedade e depressão, problemas cognitivos de memória, atenção, concentração e baixa produtividade nos estudos são consequências da fragmentação do pensamento, da falta de leitura, do isolamento social, do ciberbullying e das comparações virtuais excessivas.
Neste cenário, é preciso buscar a construção de novas ferramentas e estratégias que possibilitem resgatar a solidariedade, a capacidade de reflexão e a potência da arte, a fim de que o individualismo possa ceder lugar à empatia, à partilha dos afetos amorosos e à sabedoria.
Andrea Martins – Psicóloga e Psicodramatista – CRP 06/45353