
É possível o diálogo entre psicologia e literatura? Ou ainda, entre o Psicodrama e as obras literárias? Sem dúvida alguma!
Ao atuar como professora em cursos de especialização, utilizo diversos livros de literatura para abordar temas que fazem parte do conteúdo principal a ser estudado. Por exemplo, para discutir conceitos sobre família e relações interpessoais, por que não ler a Trilogia do Adeus, de João Carrascoza? Ou as peças de Nelson Rodrigues, se houver interesse em entender as dinâmicas psicossociais de perversidade?
Para discutir tecnicamente o que vem a ser papéis, átomos sociais, por que não se deliciar com O Parque das Irmãs Magníficas, de Camila S. Villada, que debate também questões de gênero e sociedade? Ou ainda Tudo é Rio, de Carla Madeira?
Para refletir sobre grupos, podemos ler Via Ápia, de Geovani Martins; se quisermos entender as opressões no universo dos trabalhadores braçais, Os Supridores, de José Falero. Enfim, a lista é infinita e inclui autores e autoras de diversas nacionalidades e tempos históricos, pois a literatura é um mundo encantado que espelha a realidade, mas não se limita a ela. Gabriel Garcia Marques e Socorro Acioli inventaram mundos ficcionais fantásticos, tão incríveis quanto intrigantes!
A literatura se constitui num campo aberto e vasto, passível de promover debates, ampliar conceitos e motivar reflexões necessárias às nossas vidas. Dialogar, em qualquer disciplina, a partir de narrativas literárias é algo extraordinário nos dias de hoje, tendo em vista nossa falta de atenção permanente, causada tanto pelas redes sociais quanto pela urgência de nossos afazeres.
Andrea Martins – Psicóloga e Psicodramatista – CRP 06/45353