Enquanto leitora assídua de obras literárias, tive o prazer de me abrigar na escrita de algumas autoras em 2022. Neste pequeno texto, enfatizo com entusiasmo Aline Bey e Carla Madeira, escritoras brasileiras, bem como Rupi Kaur, poeta de nacionalidade indiana canadense e Annie Ernaux, escritora francesa que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura ano passado.
A tessitura das palavras que compõem os livros dessas mulheres é da ordem da delicadeza, do lirismo e do abraço terno, mesmo que apresentem questões complexas e brutais, envolvendo assédios, violências e angústias.
Em Pequena Coreografia do Adeus, Aline Bei aborda as relações familiares sob a ótica de uma menina que vai se tornando mulher e enfrentando conflitos familiares. O livro é belíssimo, um encanto de poesia narrativa, por isso inesquecível!
Também Carla Madeira escreve de forma poética, criando personagens e alinhavando histórias tristes, cenas difíceis e provavelmente mais habituais do que imaginamos. Seu livro Tudo é Rio provocou polêmica devido ao desfecho, porém a falta de consenso não desmerece sua obra. Muito pelo contrário, penso que a engrandece!


Ainda na amplitude que a poesia pode abarcar, Rupi Kaur acolhe dores, decepções, amores e alegrias em seus ternos poemas que destacam os afetos envolvidos nas relações e nos corpos das meninas mulheres. O livro O que o Sol faz com as Flores é dividido em cinco partes: murchar / cair / enraizar / crescer / florescer.
Além de escrever, a escritora artista ilustra a obra com desenhos cativantes, possibilitando uma experiência estética diferenciada, que somente livros impressos podem garantir.

E para encerrar, eu não poderia deixar de mencionar Annie Ernaux, reconhecida escritora de auto ficção, posto que seus livros são quase relatos de sua própria vida. Tive a felicidade de ler O Acontecimento e O Lugar. Neste último, Eunaux, que escreve numa abordagem considerada sociológica, trata mais especialmente de sua relação com o pai, trabalhador braçal de origem simples. Vale a apena!

