
Talvez não seja possível definir o que somos.
Experimentos de ser, quem sabe tentativas de existir para além das capturas, com a sanidade dos loucos.
Foi Fernando Pessoa, poeta português, quem criou muitas existências para si mesmo.
Poderia ser considerado esquizofrênico a partir dos critérios da psicopatologia, mas foi mesmo um gênio da literatura.

Quantos podemos ser no nosso próprio mundo?
Que estados de alma somos capazes de experimentar? Quantos corpos e quantos gêneros cabem dentro de nós? Que personagens carregamos para o sempre que vivemos?
“Vivem em nós inúmeros. Se penso ou sinto, ignoro quem é que pensa ou sente. Sou somente o lugar onde se sente ou pensa. Tenho mais almas que uma. Há mais eus do que eu mesmo.” Ricardo Reis – heterônimo de Fernando Pessoa.
É certo que nossas vidas são muito limitadas, que a pobreza da imaginação contemporânea não contribui para a felicidade e a preservação do planeta. É certo que a vida tem sido cruel.
E para desconstruir nossos modos de existência tão precários, empobrecidos e colonizados, precisamos desejar, imaginar, sonhar os sonhos impossíveis da humanidade, não apenas sonhos humanos individualistas.
Já é sabido que não haverá sobrevivência da nossa espécie sem que os sonhos sejam coletivos. Nunca houve Ser sem o Outro. E não haverá.
Portanto, custa tentar, mas vale a pena!
É nossa única chance.