Estamos em 10 de julho de 2021, segundo ano de pandemia do vírus sars-cov-2. O mundo mudou! E conforme previsto por vários cientistas, não há possibilidade de “tudo ser como era antes”. Muitos são os desafios deste momento, porém talvez o maior deles seja reaprender a sonhar.
Como sonhar o futuro se este nos parece tão caótico e sem perspectiva? Como imaginar nossas vidas daqui há alguns meses ou anos se somos informados de que nossa espécie poderá se extinguir devido ao aquecimento global? Enquanto psicoterapeuta, cidadã e mãe constato a atroz depressão social que se abate, principalmente, entre os jovens conscientes desse estado em que se encontra a humanidade.
Diante disso, eu e minha parceira de comunicação, Kit Menezes, produzimos uma sequência de podcasts abordando a temática dos sonhos, tanto oníricos quanto despertos, ou seja, os sonhos que temos quando dormimos e os que constituem nossos devaneios e desejos conscientes. Pesquisamos alguns autores e entrevistamos diversos profissionais no campo da psicologia, da ecologia e da arte.
Compreendemos, nessa empreitada, que é mais do que necessário e urgente estimular a criação de novos imaginários, para nossas vidas presentes e futuras. Compreendemos que podemos encarar este pesadelo como uma guerra, porém se nos contentarmos com essa imagem, corremos o risco de morrer nas trincheiras do combate.
Sonhar não significa abandonar o confronto, mas muito pelo contrário, implica se empenhar ainda mais naquilo que faz sentido viver. Implica insistir na criação do novo, do não experimentado, não vivido e não habitado. Implica resistir ao desânimo e à impotência, buscando outros para compartilhar e construir junto. Porque sonhar, precisamos aprender, é algo para ser realizado coletivamente, não apenas individualmente.
O projeto do individualismo exacerbado e da competição mortal que colonizou nossos sonhos e construiu nossa subjetividade está em seu limite civilizatório. Dependemos de outra lógica para continuar nossas vidas no planeta Terra e legar aos próximos humanos um lugar habitável: a lógica da cooperação e da solidariedade, da distribuição de renda com justiça social, dos afetos amorosos como a ternura, a empatia e a generosidade.
Nessa trilha sonhadora poderemos ser mais felizes porque, afinal, somos seres sociais, dependemos uns dos outros para existir e foi desse modo, criando relações, que sobrevivemos enquanto espécie na longa (ou curta?) trajetória da história humana (aproximadamente 300 mil anos, dependendo do marcador evolutivo).
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