Torto Arado: resistência e criação

Há tempos penso em indicar esse livro belíssimo, recente, que vem sendo reconhecido nacional e internacionalmente, com prêmios importantes e comparações ilustres. 

Itamar Vieira está a altura, por exemplo, de Raduan Nassar? Não sei definir, pois como não sou crítica literária, não me compete a função de avaliar romances.

Concordo, no entanto, com a boa recepção à Torto Arado, que através de uma prosa delicada, narra a trajetória de famílias de trabalhadores rurais no sertão baiano, pelos olhos de duas irmãs muito amorosas – Bibiana e Belonísia -, na primeira metade do século XX.

“Filhas de humildes trabalhadores rurais descendentes de escravos, as irmãs irão crescer entre a extenuante rotina do campo, as tradições religiosas afro-brasileiras – com suas velas, incensos e ladainhas quase imemoriais – e a absorvente vida familiar. Com o passar dos anos, a antiga proximidade entre elas vai se desfazendo aos poucos.” Eis um trecho da contra capa do livro.

Desse modo, Itamar Vieira relata parte da história do Brasil, aquela que nunca nos foi ensinada na escola. Ou seja, como famílias inteiras são mantidas em uma espécie de cativeiro escravagista moderno, sofrendo violências de toda ordem. E como essas pessoas, digamos assim, anônimas, resistem, lutam por mudanças, criam, reexistem, desenvolvem vínculos afetivos intensos, ternos, entre si, com a terra e com a herança cultural religiosa da qual partilham.

Em um momento trágico como esse que estamos vivendo aqui no Brasil, no qual a política da morte impera como prática e retórica, talvez seja tão imprescindível quanto redentor ler Torto Arado e com ele aprender a sobreviver e resistir.

Fica a dica!!

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