
Nestes tempos tão duros, em que somos obrigados e obrigadas a testemunhar um massacre no Brasil, ou mesmo a ser vítimas diretas de governantes genocidas, que não se responsabilizam pela saúde da população, que são absolutamente indiferentes ao sofrimento humano…
Nestes tempos de barbárie e mortes que poderiam ser evitadas, como tem sido feito em outros países, inclusive na América Latina…
Nestes tempos sub humanos, em que a vida perdeu totalmente o valor e a ordem é o fascismo, a arma e o orgulho de ser um assassino em potencial…
Nestes tempos de horror, em que renasceram líderes nazistas a conclamar o povo para o gozo sádico que apenas a dor do outro propicia….
Ah, nestes tempos de crueldade, escuridão e muita ignorância, pouco resta de cada um de nós naquilo que temos de coragem, potência, alegria, resistência e graça.
Por isso é preciso, ainda mais do que ontem, respirar. Cuidar. Amar.
Proclamar a palavra correta: VIDA. Porque não queremos morrer. E temos o direito de Viver!
Já não é mais possível suportar tanta perversidade sem se deixar afetar. Já não é mais possível assistir o descaso sem se incomodar.
Quem não sentir a dor do outro neste momento, perdeu completamente a qualidade de ser humano.
Venho buscando em filmes e animações que abordam a relação entre pessoas e animais, alguma delicadeza para não desistir da humanidade. O mundo dos animais me parece, então, muito mais belo e decente do que o nosso. Será possível aprender algo com eles, ao menos sobreviver emocionalmente?
Em O Professor Polvo e O Farol das Orcas, por exemplo, filmes disponíveis na Netflix, acompanhamos um mergulhador fazendo amizade com um polvo e um biólogo ajudando um menino autista a conversar com as baleias orcas que tanto ama.
Imagens magníficas, relações ternas e delicadas apesar dos conflitos. Não há genocídio, há apenas animais selvagens que se alimentam de outros, cumprindo a cadeia evolutiva esperada.
Por que não podemos aprender a preservar nossas próprias vidas, lutando por uma sociedade que tenha valores dignos de igualdade, justiça e amor ao próximo?
