Live: A potência da arte no processo de luto

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No próximo dia 22 de outubro, como uma das integrantes da Rede de Apoio às vítimas e familiares da Covid-19, coordenando o GT do Repertório de Artes, estarei participando de uma discussão sobre a potência da arte no processo de luto, junto à colega de profissão Clara Reis, pelo canal da ABRAPSO – Associação Brasileira de Psicologia Social, no Youtube e no Facebook da entidade.

Sabemos que estamos passando por um momento histórico muito particular, nesta situação de emergência sanitária, em que os rituais de despedida típicos da nossa cultura são interrompidos. Os relatos que temos acompanhado na Rede de Apoio são dignos de um filme de terror.

Podemos afirmar que a interrupção desses rituais, por si só, já propicia “lutos complicados”. O luto é um processo individual e coletivo de despedida, elaboração e construção de uma nova realidade e subjetividade. Tem, portanto, um componente particular e público. Especialmente na pandemia, o luto revela-se enquanto pertencimento, mesmo que a morte não esteja ocorrendo em todas as famílias. A crise e o medo da perda é mundial.

Frente a isso, a Rede de Apoio propõe várias estratégias para acompanhar e cuidar das pessoas e familiares enlutados. Uma delas é o contato e a experiência artística. Ou seja, a partir da concepção de arte como linguagem, entendemos que a literatura e a poesia, a pintura e o desenho, o cinema, a fotografia, o vídeo ou a música são possibilidades ao alcance de qualquer pessoa que esteja em sofrimento, para ajudar nesse processo tão doloroso de separação, que traz sentimentos de tristeza, raiva, inconformismo, angústia e as vezes se transforma em quadros de depressão ou tentativa de suicídio.

A arte como expressão é tanto uma forma de comunicação e sensibilização, quanto uma forma de denúncia da dor e da realidade adversa, numa sociedade marcada pela indiferença. Os familiares em luto podem narrar, seja pelas palavras ou pelas cores, como se sentem, como percebem a reação das pessoas ao redor, como queriam que fosse diferente. Ouvimos frequentemente narrativas sobre a invisibilidade social deste momento, sobre a culpa imputada às próprias vítimas – por vizinhos e familiares do entorno -, e sobre a indiferença da sociedade em relação aos mortos da Covid. A dor pela morte se agiganta porque muitas pessoas têm plena compreensão da injustiça. Sabem que se trata, na maioria das vezes, de mortes evitáveis, diferente de outros quadros de doença, por exemplo. Sabem que houve uma opção política governamental pela preservação da economia em detrimento da vida.

Nesse sentido é que a arte pode ser considerada parte de um movimento de resistência política ao genocídio em curso. Convidamos então a todos e todas para essa reflexão, que privilegia o papel e a função da arte, neste momento, sob a dimensão individual e também coletiva, sócio política.

Arte é expressão, é linguagem, é comunicação e memória. Mas até por isso é também denúncia, resistência e luta por transformação individual e social.

Link da live: https://www.youtube.com/watch?v=EyPwrGzwDRc&t=1573s

 

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