
Tenho pensado em nossas crianças nesse momento tão difícil, tenso e complicado que vivemos. É possível que tenhamos a oportunidade de rever o que significa a infância a partir de agora.
O livro Michel Foucault – o governo da infância, apresenta textos de variados autores, baseados na concepção foucaultiana.
“Pensar a infância, problematizando-a como uma invenção, permite perceber sua construção histórica como categoria das ciências humanas do homem e a forma como ela é engendrada no contexto social moderno. Nesse sentido, pensá-la com Foucault possibilita ver, desde essa perspectiva administrativa, o que se está fazendo da infância e com a infância em nosso tempo presente.” Haroldo de Resende na Apresentação do livro.
Pois bem, como estamos cuidando de nossas crianças neste momento? Quais as perguntas e provocações importantes a serem feitas para nós mesmos no que diz respeito a esse tema?
Acredito que todas e todos os educadores sensíveis estão a se perguntar como será que as crianças estão percebendo a pandemia, quais as questões que estão se fazendo, que hipóteses estão construindo e o que estão sentindo. Provavelmente a angústia seja o sentimento mais intenso, porque compartilhado entre nós frente a tanta incerteza de futuro. Sendo assim, é importante incentivar a criação de formas de expressão pelo brincar, pelo desenho, a pintura, a música, dança, leitura ou escrita.
A morte também é um assunto a ser abordado, tendo em vista o estado de comoção geral na sociedade, a dor do luto entre familiares que estão perdendo pessoas queridas e a cobertura da própria mídia. Para falar sobre isso não é preciso ter medo, é preciso ter delicadeza e transmitir os valores e crenças do grupo de pertencimento.
Tal experiência de viver na infância um processo coletivo tão doloroso será inesquecível e poderá se configurar como uma potência criativa ou, por outro lado, como uma fratura a exigir cuidados e tratamento. Temos na ordem do dia uma infância outra sendo instaurada, assim como a possibilidade de uma outra sociedade e um outro ser humano. Assim espero!